Dá para conciliar o agronegócio e a conservação da Amazônia?

Dá para conciliar o agronegócio e a conservação da Amazônia?

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Dá para conciliar o agronegócio e a conservação da Amazônia?

Em 2006, quando o avanço da produção de soja na região amazônica era uma grande ameaça à floresta, entidades ligadas ao agronegócio e organizações não governamentais de defesa do meio ambiente firmaram um acordo que impedia a venda de soja produzida em áreas desmatadas. Doze anos depois, a Moratória da Soja se transformou num dos exemplos mais bem-sucedidos de medida de proteção ambiental combinada com aumento da produção agrícola. De lá para cá, a área de cultivo da soja cresceu quase 300%, enquanto o desmatamento para a produção do grão evoluiu menos de 2% na Amazônia. Na prática, as lavouras migraram para áreas de pastagens degradadas. Hoje, de 4,5 milhões de hectares plantados com o grão na safra 2016/2017 no bioma amazônico, menos de 47 365 infringem os termos da moratória.

O sucesso do acordo tem inspirado discussões para que ações desse tipo sejam levadas a outros biomas sensíveis, como o Cerrado. “Os produtos agrícolas fora de áreas de desmatamento e com boas práticas de produção são valorizados pelo consumidor estrangeiro, em especial na Europa”, diz Frederico Machado, especialista em políticas públicas do Programa Agricultura e Alimentos da ONG internacional WWF e palestrante do EXAME Fórum Amazônia. Realizado em 21 de março, o evento reuniu 200 pessoas em Porto Velho, Rondônia, para discutir o desenvolvimento econômico da região.

O debate entre preservação e exploração agrícola na Amazônia se dá num momento em que, após uma queda expressiva do desmatamento, os números voltaram a oscilar. De 2004 a 2014, o ritmo anual de desmatamento do bioma caiu 80%, um avanço reconhecido mundialmente. Entre 2015 e 2016, o corte ilegal de árvores voltou a crescer, com a abertura de 7  893 quilômetros quadrados desmatados. O último dado do Ministério do Meio Ambiente é positivo: de julho de 2016 a junho 2017, o desmatamento caiu 16% na região. A projeção para este ano é que de 6 000 a 7 000 quilômetros quadrados sejam desmatados, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.

A meta é limitar a devastação a 3 900 quilômetros quadrados ao ano até 2020, segundo a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Foi instituída por lei em 2009 e é um compromisso do Brasil com a Organização das Nações Unidas, que busca a redução de emissões de gases de efeito estufa. “A sustentabilidade cresce no Brasil como exigência de mercado, não só das instituições”, diz o governador de Rondônia, Confúcio Moura (MDB). “O mercado é seletivo, exigente. O mundo só compra o que é conveniente, e a preocupação com a origem dos insumos é cada vez maior.”

Se a soja tem dado o exemplo na região amazônica, a pecuária extensiva está na ponta oposta. Cerca de 60% das áreas desmatadas abrigam pastos. As terras de pastagem chegam ao esgotamento por completo do solo em oito a dez anos. Como a recuperação é custosa, os agricultores preferem avançar na floresta — primeiro, agem no mercado ilegal de madeira, financiando a criação posterior do gado.

O esquema fez com que o rebanho bovino na Amazônia passasse de 37 milhões de cabeças em 1995, o equivalente a 23% do total nacional na época, para 85 milhões em 2016, cerca de 40% do total. “A forma de ocupação que tivemos de 1979 a 1988, com assentamentos rurais organizados pelo governo federal, possibilitou a ocupação do estado, mas com uma legislação ambiental que permitia mais desmatamento do que as regras atuais”, diz José Paulo Gonçales, secretário adjunto da Secretaria da Agricultura de Rondônia. “Todos os esforços do governo estadual estão centrados em recuperar áreas degradadas para se enquadrar na nova legislação.”

Olivier Girard, sócio da consultoria Macrologística; Maria Tereza Umbelino de Souza, do Brasil Mata Viva; Frederico Machado, da ONG WWF; e Valdemar Camata Júnior, superintendente do Sebrae de Rondônia, discutem logística e sustentabilidade na Amazônia | Flavio Santana

A situação da pecuária deve começar a mudar na região amazônica. No fim de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal julgou 58 pontos do Código Florestal, criado em 2012, questionados por ações protocoladas pela Procuradoria-Geral da República e pelo PSOL. O tribunal reconheceu a constitucionalidade de pontos controversos, entre eles a anistia aos proprietários que desmataram acima das cotas de reserva legal e de áreas de preservação permanente. Pela lei, as propriedades rurais devem ter uma parcela de cobertura de vegetação nativa. As cotas variam de acordo com o bioma: de 20%, em boa parte do país, a 80% da propriedade, na Amazônia.

Quem desmatou até julho de 2008, porém, recebeu uma espécie de “suspensão da pena” caso firmasse um compromisso de restauração das terras degradadas e adequação às regras legais. Enquanto o proprietário de terra estiver cumprindo o acordo, não poderá ser multado. Os ambientalistas temem, porém, que a brecha incentive invasões em área de conservação, na expectativa de anistias futuras. “O julgamento no STF pacificou as contestações, eliminou a insegurança jurídica e abriu uma via para que se regularize a situação de quem tem algum passivo”, afirma Rodrigo Lima, sócio da consultoria Agroicone. “É um passo importante para que, nos próximos anos, tenhamos uma agenda de restauração florestal efetiva.”

Outro ponto importante é a entrada em operação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), cujas inscrições vão até 31 de maio. Organizado pelo Serviço Florestal Brasileiro, o CAR é um enorme banco de dados que vai mapear as propriedades agrárias e contabilizar o real passivo ambiental no país. O ma-pea-mento levou três anos para chegar ao atual estágio.

No último levantamento, de fevereiro, mais de 436 milhões de hectares haviam sido cadastrados, compreendendo 4,8 milhões de imóveis rurais. As regiões Sul, Sudeste e Norte foram totalmente desenhadas. O Centro-Oeste tem 97% dos cadastros prontos, e o Nordeste, 90%. No CAR, os fazendeiros precisam informar o tamanho, as divisas e a composição de suas terras, mostrando as áreas produtivas e as de vegetação, conservadas ou degradadas.

Como o CAR funciona por autodeclaração, os governos estaduais deverão fazer uma checagem entre os dados captados por satélite e os declarados para propor uma adequação pelos Programas de Regularização Ambiental a quem descumprir o Código Florestal. Quem tiver avançado sobre a porção protegida por lei terá de restaurar a área degradada ou adquirir ativos florestais — por exemplo, comprar compensações de vizinhos com ativos sobrando.

“Boa parte dos produtores rurais está inclinada a atuar na recuperação ambiental, pois o Código Florestal deixa claro quais são as punições para quem não cumpre”, diz Valdemar Camata Júnior, superintendente do Sebrae de Rondônia. “Mas é preciso ir além e discutir quais serão os benefícios para quem preservar a floresta.”

A expectativa é que um novo mercado em torno da conservação de mata nativa comece a ganhar fôlego. Já foi formatada uma espécie de “moeda verde”, a chamada Cota de Reserva Ambiental (CRA). Ela ainda aguarda regulamentação, mas o Sistema Florestal Brasileiro estuda padronizar o custo do ativo para que possam ser feitas trocas entre proprietários de forma fácil. Espera-se que até o fim do ano a ferramenta esteja ativa.

A necessidade de criar ativos florestais transcende o interesse de produtores locais. Em turnê no Brasil, a banda de rock americana Pearl Jam destinou parte do lucro de seus shows à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no es-tado do Amazonas. Desde 2003, os roqueiros compram créditos de carbono para compensar as emissões de suas apresentações, fazendo do Pearl Jam o primeiro grupo musical “carbono neutro” no mundo. A passagem da banda por São Paulo e Rio de Janeiro moveu 2 500 toneladas de carbono gerados pelos deslocamentos de carro e avião dos músicos, pelos shows em si e pelo transporte usado pelos fãs.

A conta ambiental se transformou em 50 000 dólares, destinados ao plantio de árvores por meio do mecanismo de redução de emissões de carbono. Algumas empresas brasileiras já utilizam esse instrumento de compensação. A fabricante de cosméticos Natura é da turma do “carbono neutro” há dez anos. No final de março, a empresa anunciou um balanço de seu Programa Amazônia, que envolve 4 300 famílias na Região Norte, produtoras de ingredientes da linha de cosméticos Ekos. A compensação das atividades é feita em 257 000 hectares de floresta em pé.

Apesar de parecerem financeiramente vantajosas, essas operações ainda são raras no Brasil. Organizações não governamentais e empresas tentam conscientizar os produtores da região sobre a importância da preservação do ambiente — e dos lucros possíveis com a floresta em pé — e sobre a necessidade de que fatores essenciais para a produtividade no campo, como ciclo de chuvas e qualidade do solo, sejam garantidos.

O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que intermediou as operações do Pearl Jam, reconhece que esse é um mercado difícil. Os valores são baixos. O agricultor recebe, em média, 60 reais por árvore mantida em pé pelo período de três anos. “O produtor rural conclui que, entre vender carbono e produzir soja, vale mais a produção agrícola”, diz Mariano Cenamo, pesquisador sênior do Idesam. Isso porque no Brasil não há incentivo para um sistema de compensação de carbono ou de -taxação sobre emissão.

Além da ausência de coordenação governamental, faltam regras claras que criem um lastro de remuneração mais lucrativa para os planos de preservação. O Acre é o único estado que tem uma política estruturada e funcionando de incentivos e contabilidade da conservação das florestas em pé, e sua consequente redução de emissões de carbono (na sigla em inglês, REDD+). Iniciado em 2004, o plano não foi financiado com dinheiro público daqui, mas pelo banco de desenvolvimento KFW, da Alemanha — foram mais de 100 milhões de reais. Outros modelos também estão sendo testados. O programa Brasil Mata Viva, gerido pela Imei Consultoria, de Goiânia, enxerga na demanda crescente por ativos florestais uma oportunidade.
O Mata Viva criou um plano de compensação de dano ambiental chamado de crédito de floresta, que calcula a densidade da cobertura nativa preservada em vez de considerar toneladas de carbono emitidas. A compensação de impactos causados por obras da Olimpíada no Rio de Janeiro foi feita assim, utilizando reservas de floresta nos estados de Amazonas e Mato Grosso. Com isso, a ideia é remunerar o proprietário de terras preservadas de forma mais justa, gerando créditos com padrão internacional que poderiam ser negociados em bolsas de valores. “Vivemos um momento de modificação da cultura das instituições em prol do crescimento do agronegócio aliado às tecnologias”, diz Alaerto Luiz Marcolan, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Rondônia.

O avanço na relação de ONGS com empresas está reverberando entre as lideranças políticas da região. Para o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), essa curva em direção à sustentabilidade faz parte das “reformas necessárias ao Brasil”, assim como se dá com a da Previdência. “Se não for tomada nenhuma atitude, uma nova crise comercial será aberta”, diz Virgílio. Os governadores da Amazônia Legal, grupo composto pelos estados do Norte mais Maranhão e Mato Grosso, vêm trabalhando para formar um consórcio que uniria atividades de segurança, infraestrutura e logística, além de planos de captação de investimentos na região. E mais: pretendem criar um fundo para financiar ações de divulgação da Amazônia. A ideia é deixar no passado as imagens de devastação e construir uma nova percepção do desenvolvimento local, baseado numa conciliação com a conservação do ambiente. O caminho para o país está claro: agora é transformar as ideias em ações de fato.

Fonte: Revista Exame

Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

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Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Solos (RJ) e de outras instituições brasileiras revela que quase metade do fósforo (P) aplicado na agricultura em forma de fertilizante inorgânico nos últimos 50 anos continua na terra. Cálculos apontam que um total de 45,7 milhões de toneladas, ou teragramas (Tg), de fósforo foi aplicado no Brasil desde 1960, quando começou a utilização regular desse insumo. Hoje, estima-se que 22,8 Tg desse montante continue fixado no solo.

Esse legado de fósforo na terra, que hoje é avaliado em mais de U$ 40 bilhões, pode ajudar o Brasil a se precaver contra uma possível escassez futura do nutriente ou variações no preço do insumo. Em 2008, por exemplo, o preço da rocha de fosfato aumentou 800% em um período de 18 meses.

Em 2050, serão 105 milhões de toneladas

Para avaliar esse recurso, foram examinadas as dinâmicas de fósforo em seis experimentos de longa duração (14 a 38 anos) em solos do Cerrado, onde se acredita que a maior parte da expansão e da intensificação da agricultura deve ocorrer. A estimativa é que o resíduo de fósforo em terras brasileiras possa chegar a 105 Tg em 2050.

O estudo, publicado na Nature Scientific Reports, no artigo Transitions to sustainable management of phosporus in Brazilian Agriculture (Transições para o manejo sustentável de fósforo na agricultura brasileira, tradução livre), chama a atenção para uma questão importante na discussão do excesso de uso do nutriente. O fósforo aplicado sucessivamente em solos brasileiros, principalmente na produção de grãos, desde 1970, aliado a práticas conservacionistas, como o plantio direto, gerou um legado, promovendo o acúmulo de um capital natural. “Nosso solo absorveu esse fósforo. Por isso, precisamos aplicá-lo cada vez em menor quantidade na terra, reduzindo seu uso na adubação”, revela Vinícius Benites, pesquisador da Embrapa Solos e um dos autores do artigo.

Controvérsias sobre o uso do fósforo

O estudo responde a diversas críticas de pesquisadores atuantes em países de agricultura de clima temperado. “Há aproximadamente dois anos, alguns cientistas de países do Hemisfério Norte começaram a questionar o que seria uma aplicação excessiva do fósforo na agricultura tropical, principalmente no Brasil”, lembra Benites. “Por lá, eles consideram o fósforo como um poluente, em vez de insumo. É necessário observar que nossos solos tropicais, para produzir, têm uma demanda muito maior de fósforo do que a terra de países de clima temperado”, completa.

Luís Prochnow, diretor geral do Instituto Internacional de Nutrição de Plantas no Brasil (IPNI), pondera: “Realmente existem trabalhos criticando alguns aspectos do uso de fósforo no Brasil. Tais argumentos se referem normalmente à grande quantidade que utilizamos para tornar a nossa agricultura eficiente e produtiva. Questiona-se algumas vezes se o custo [da aplicação de fósforo] não é muito elevado e se não estamos esgotando as reservas no mundo muito rapidamente”.

O professor Luciano Gatiboni, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) vê algumas contradições nas críticas. “É interessante observar que as reclamações sobre o uso do fósforo na agricultura brasileira têm vindo de países nos quais foram utilizados fertilizantes fosfatados por séculos e hoje boa parte dos seus solos apresentam teores excessivos desse elemento, valores tão altos que causam poluição ambiental. Obviamente, nessas condições, a eficiência da adubação é próxima a 100%, pois há tanto fósforo armazenado no solo pelas adubações anteriores que não há fixação. Então, eles criticam o Brasil por estar fazendo o que já foi feito no passado por eles”, avalia.

Prochnow também discorda da argumentação dos pesquisadores europeus: “Temos que considerar que precisamos de fósforo em quantidades elevadas para construir a fertilidade dos nossos solos, mas temos uma agricultura muito eficiente, bem mais eficaz do que a das regiões temperadas”.

Manejo adequado manterá fósforo por muitas décadas

Um bom exemplo é que no Brasil é possível fazer dois ou mais cultivos ao ano em uma mesma área, realizando o manejo adequado com aplicação dos princípios fundamentais para uso de fertilizantes, conhecido como o conceito 4C: utilizar a fonte de fertilizante correta, na dose correta, no momento correto e no local correto. “Se o utilizarmos com sabedoria, teremos reservas de fósforo por muitas décadas. Ademais, tenho convicção de que serão estabelecidas formas eficientes de se reciclar esse nutriente. Isso será imperativo no futuro. Resumindo, não devemos confundir as coisas. Precisamos de agricultura forte no Brasil, que necessita de fósforo bem manejado. Isso é perfeitamente possível”, completa Prochnow.

O fósforo é elemento vital para a saúde e o vigor das plantas. Alguns fatores de crescimento associados ao fósforo são melhoria na qualidade da plantação, maior resistência a doenças e suporte ao desenvolvimento da planta por todo ciclo de vida. Além disso, ele está presente de modo intensivo na agricultura, na utilização do NPK, sendo um dos três nutrientes principais para as plantas, ao lado do nitrogênio e do potássio, na composição dos fertilizantes.

Esse debate se torna ainda mais importante diante da escassez do recurso, explica Benites: “Importamos metade do fósforo que utilizamos. Existem reservas de fosfato no Brasil, mas elas são compostas por minerais de menor qualidade, o que aumenta o custo da produção. Por essa razão, torna-se mais barato importá-lo. Ele é um elemento limitado. As grandes minas estão localizadas no norte da África, muitas em regiões de conflitos geopolíticos. Ainda existe fósforo suficiente para abastecer a agricultura por algum tempo. Porém, em breve, ele vai se tornar uma preocupação quando pensarmos na segurança alimentar no mundo”.

Fósforo secundário

A perspectiva de escassez leva os pesquisadores a alertar para a necessidade de se pensar em sistemas de produção que racionalizem o uso desse insumo. Uma alternativa abordada no artigo publicado na revista Nature é o uso do fósforo secundário, presente nos dejetos da produção animal ou nos resíduos do processamento da cana-de-açúcar, por exemplo. Esse material já é utilizado na Austrália. Estimativas indicam que o fósforo secundário pode suprir até 20% da demanda brasileira de grãos por volta de 2050, com investimento em tecnologias de recuperação do nutriente.

O diretor do IPNI acredita que o aproveitamento do fósforo secundário é uma possibilidade concreta. “Porém, ainda precisamos evoluir muito em tecnologia e em distribuição dessas fontes. A reciclagem de fósforo será fundamental em um futuro próximo e a viabilidade técnica será estabelecida, bem como existirão forças econômicas para que essas fontes possam ser utilizadas. É necessário que o País se preocupe e pesquise esse assunto. Alguns têm feito isso com clareza e da forma científica necessária”, declara Prochnow.

Luciano Gatiboni também tem uma visão otimista sobre o tema. “Acredito que o Brasil pode tranquilamente manter seu protagonismo como principal produtor de alimentos e bioenergia no futuro, sem críticas quanto à eficiência de uso de fertilizantes fosfatados, se conseguir usar eficientemente na agricultura as fontes secundárias de nutrientes com a inclusão de fertilizantes oriundos do reuso do fósforo. Melhor ainda se conseguirmos desenvolver tecnologias para usar pelo menos parte do fósforo fixado no solo e acumulado pelo histórico de adubações”, sugere o professor da Udesc.

Alguns países, como Cuba e China, buscaram uma saída mais radical e usam no campo o fósforo presente nos dejetos humanos, já que 80% do fósforo ingerido é excretado.

Brasil sediará discussões em agosto

O uso correto do fósforo na agricultura volta ao centro dos debates científicos entre os dias 20 e 22 de agosto, no VI Encontro Sustentável do Fósforo (SPS2018), fórum mundial para discussão do tema. A Embrapa é uma das organizadoras do evento, que acontecerá em Brasília (DF).

“É a primeira vez que o evento é realizado no Hemisfério Sul. Pretendemos mostrar um cenário mais realista do uso do fósforo no Brasil para o mundo”, revela Vinicius Benites, da Embrapa. O SPS 2018 também discutirá os cenários na Ásia, África e Pacífico, focando nos desafios e oportunidades locais.

Esses encontros começaram em 2010, na Suécia. A edição brasileira reunirá várias lideranças da ciência, indústria e política, buscando identificar ações a respeito do papel da disponibilidade e acessibilidade do nutriente na segurança alimentar e agricultura, protegendo o meio ambiente e apoiando a vida urbana e no campo.

Também em agosto, entre os dias 12 e 17, o XXI Congresso Mundial de Ciência do Solo (WCSS), no Rio de Janeiro (RJ), abordará o uso sustentável do fósforo nos ambientes tropicais.

Fonte: Noticias Agrícolas

Novos cultivos usam 25% menos água e resistem à seca

Novos cultivos usam 25% menos água e resistem à seca

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Novos cultivos usam 25% menos água e resistem à seca

A agricultura é o principal usuário de água no mundo e a crescente população coloca mais pressão nesse recurso. Pela primeira vez, cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido melhoraram como o cultivo usa água em 25% sem comprometer a produtividade ao alterar a expressão de um gene que é encontrado em todas as plantas.

 A pesquisa é parte do Realizando Eficiência Fotossintética Aumentada (RIPE), um projeto de pesquisa internacional liderado pela Universidade Illinois. A equipe liderada pelo diretor da RIPE, Stephen Long, aumentou os níveis de proteína fotossintética para conservar água para enganar as plantas fecharem parcialmente os estômatos. Quando o estômato abre, o dióxido de carbono entra na planta para alimentar a fotossíntese, mas a água escapa através de transpiração. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou em 25% nos últimos 70 anos, permitindo às plantas acumularem dióxido de carbono sem abrir totalmente os estômatos.
Quatro fatores levam o estômato a abrir e fechar: umidade, níveis de dióxido de carbono na planta, qualidade da luz e quantidade de luz. Esse estudo é o primeiro relatório de modificação em respostas de estômatos à quantidade de luz. A proteína fotossintética é uma parte chave do caminho de sinalização na planta que transmite informação sobre a quantidade de chuva. Ao aumentar essa proteína, o sinal diz que não há suficiente energia de luz para a planta fotossintetizar, o que leva ao estômato a fechar uma vez que o dióxido de carbono não é necessário para alimentar a fotossíntese.
Fonte: Agrolink
WhatsApp alavanca negócios na pecuária

WhatsApp alavanca negócios na pecuária

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WhatsApp alavanca negócios na pecuária

Aplicativo é usado como ferramenta de negociação e muda o jeito de comprar e vender animais

O agropecuarista Erik Jan Petter, de Castro, nos Campos Gerais, é um descendente de holandeses que deixa para lá a fama de “quieto” do povo europeu, pois não deixa uma conversa sem assunto. Em meia hora, tempo gasto em sua caminhonete entre o centro do município e uma das propriedades na qual cria bovinos, ele consegue resumir com detalhes uma trajetória recheada de pioneirismo e inovação.

Foi, por exemplo, um dos primeiros a criar bovinos da raça Senepol no Brasil, ainda nos anos 2000, além de um desbravador de variedades de pastagens com ciclos variados para a comercialização de sementes (segmento que hoje responde por 20% dos seus negócios).

Ele foi pioneiro também a fazer algo que foi se tornando cada vez mais comum com o passar dos anos. Desde a popularização do WhatsApp no Brasil (ou “zap zap”, como alguns se referem), a partir de 2009, ele usa constantemente a ferramenta para fechar vendas. “Hoje, em torno de 70% dos negócios são inteiramente conduzidos no aplicativo, mas eu diria que praticamente 100% têm pelo menos uma das fases nele, como o envio de fotos, vídeos, avaliações e outros materiais relacionados à vida dos animais”, revela. “Tenho muitos clientes que eu nunca tive contato presencialmente, apenas pela internet”, completa.

Erik tem 500 matrizes, com foco na venda de genética Senepol para melhoramento em propriedades de todo o Brasil. Já chegou a vender até para o Acre, mas hoje se concentra no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste. O pecuarista trabalha com o sistema de integração lavoura-pecuária em talhões alternados dos 3,5 mil hectares nos quais cultiva soja, milho, feijão, trigo, pastagens, entre outros. O produtor também tem cerca de 800 hectares de pinus e eucalipto.

No negócio com bovinos, consegue vender 50 touros por ano, com valores que vão de R$ 7 mil a R$ 12 mil cada. “O WhatsApp facilita em tudo, pois hoje o pecuarista é antenado, mas tem muito menos tempo do que antigamente para ir olhar presencialmente um animal. O que importa nesse ramo de negócios é a fidelização e a confiança”, sintetiza.

Fonte: Sistema FAEP

Reflorestamento com espécies nativas: lucro para o investidor, vantagens para o planeta

Reflorestamento com espécies nativas: lucro para o investidor, vantagens para o planeta

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Reflorestamento com espécies nativas: lucro para o investidor, vantagens para o planeta

A economia florestal brasileira responde hoje por 1% do PIB nacional. Mas o setor tem condições de ampliar em muito essa participação e, ainda por cima, ajudar a viabilizar os compromissos climáticos brasileiros no Acordo de Paris. Durante a 23ª Conferência das Partes (COP 23) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, afirmou que os governos, as empresas e o terceiro setor precisam trabalhar juntos para desenvolver uma economia sustentável de baixo carbono.

O plantio em grande escala de árvores nativas é uma oportunidade de mercado em linha direta com os compromissos climáticos, oferecendo à iniciativa privada participação ativa no desenvolvimento de negócios aderentes à nova ordem econômica de baixo carbono.

O reflorestamento com espécies nativas tem a vantagem de permitir uma diversificação importante para lidar com os próprios fenômenos do clima, tanto pelos serviços ambientais envolvidos (preservação de biodiversidade e água, por exemplo), quanto pelo aumento da segurança do produtor, que não fica dependente de uma única espécie e consegue compor mosaicos de culturas para épocas de mais ou menos chuvas.

Sementes, fibras, frutos, óleos, borracha e inúmeros outros produtos podem ser combinados para permitir a remuneração contínua do plantio de nativas até chegar ao manejo da própria madeira.

A multiplicação desses modelos contribui de maneira direta para o Brasil atingir duas de suas metas no Acordo do Clima: reflorestar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030 e implantar 5 milhões de hectares de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que podem ser complementados com Sistemas Agroflorestais (SAFs).

Outro fator positivo é que o Brasil tem a maior parte de seu território em biomas tipicamente florestais, como Mata Atlântica e Amazônia, ideais para impulsionar o reflorestamento com nativas. Mesmo em biomas não florestais, como o Cerrado, há produtos de grande apelo comercial, como a macaúba, usada na fabricação de óleo para aviões.

Resultados do estudo realizado pelo WRI Brasil e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), apoiados pela Children’s Investment Fund Foundation (CIFF), mostram que já há investidores colocando dinheiro nesse nicho e que esse tipo de investimento é competitivo quando comparado com agricultura e silvicultura. Os resultados podem ser encontrados neste link. Esse trabalho embasa o projeto Verena (Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas), que apresentou, em dezembro, a modelagem econômica de 12 empreendimentos de diferentes portes. O Verena foi concebido para estimar custos, investimentos, vantagens e desafios do plantio de nativas no Brasil.

O caminho está aberto. E é cada vez mais evidente que o reflorestamento com árvores brasileiras já se estabeleceu como um negócio lucrativo e que tem muito a oferecer para o cumprimento dos compromissos brasileiros no Acordo de Paris.

Fonte: Época

Mudança climática afeta crescimento de plantas

Mudança climática afeta crescimento de plantas

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Mudança climática afeta crescimento de plantas

Os efeitos das mudanças climáticas afetam não somente a biodiversidade, mas a forma como crescem as plantas. Pesquisadores da Universidade Martin Luther se juntaram ao Instituto Leibniz de Bioquímica Vegetal, da Alemanha, para descobrir que processos moleculares estão envolvidos no crescimento das plantas. Na edição atual da revista Current Biology, o grupo apresentou suas descobertas mais recentes sobre o mecanismo de controle do crescimento em altas temperaturas.

As plantas reagem mais sensivelmente a flutuações de temperatura que animais. Eles também não são capazes de buscar locais mais quentes ou mais frios. “Quando as temperaturas sobem, as plantas crescem mais para esfriá-las. Os caules ficam mais altos e as folhas mais estreitas, crescendo mais. Mas isso faz da planta ainda mais instável”, explica o professor Marcel Quint, cientista na Universidade Martin Luther. Isso é notável, por exemplo, durante a colheita de grão. Plantas instáveis se dobram mais facilmente na chuva e geralmente produz menos biomassa. Também há uma redução na proporção de substancias chave, como proteínas, que podem ser armazenadas nos grãos.

 “Enquanto que a correlação entre temperatura e crescimento de plantas no nível macro é relativamente bem entendida, há ainda mais questões abertas no nível molecular. Nós estamos apenas começando a entender como as plantas detectam as mudanças de temperatura e traduzem isso rem reações específicas”, acrescenta Quint. Estudos prévios demonstraram que a proteína PIF4 controla diretamente o crescimento das plantas e que a proteína também é dependente da temperatura. Quando está frio, a PIF4 é menos ativa e a planta não cresce. Em altas temperaturas, a PIF4 ativa os genes promotores de crescimento e a planta cresce mais. “Atè agora não era claro como a planta sabe como ativar a PIF4 e quanto deveria liberar. Haviam grandes brechas no nosso conhecimento sobre como exatamente sinalizar o crescimento de temperatura controlada”, diz Quint.
Fonte: Agro Link
Prazo limite para atualização de dados no Simcar expira no próximo dia 2 de agosto

Prazo limite para atualização de dados no Simcar expira no próximo dia 2 de agosto

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Durante apresentação das ações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) para produtores rurais em Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá), o secretário de Estado de Meio Ambiente e vice-governador, Carlos Fávaro frisou a importância de todos estarem atentos ao período de atualização dos dados da propriedade ao novo Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar). O prazo limite expira em 2 de agosto, após 90 dias do lançamento.

“Ninguém perde o CAR (Cadastro Ambiental Rural) que, a partir desta data, ficará suspenso aguardando o cumprimento da lista de pendência única gerada automaticamente com a migração do Sicar (nacional) para o Simcar (estadual). Para o Estado, que reassumiu a gestão do sistema, é fundamental que todos façam esta retificação de dados, pois é a partir dela que daremos celeridade ao processo de análise dos cadastros e de regularização ambiental”.

Ele também explicou aos participantes do Fórum Soja Plus de Sustentabilidade, realizado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), em parceria com a instituição europeia Iniciativa para Comércio Sustentável (IDH – sigla em inglês), que a meta da Sema é incluir e analisar 150 mil imóveis rurais, além de desembargar mais de 10 mil propriedades, abrindo a porta do órgão ambiental à legalidade.

“Além disso, com o Simcar, o Estado terá um raio-X das propriedades, com seus passivos e ativos ambientais, e é por meio desse dado que vamos avançar em parcerias de valorização da floresta em pé, como o Soja Plus, que promovem o desenvolvimento sustentável, aliando conservação ambiental, crescimento econômico e inclusão social”, acrescentou Fávaro.

Para o presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, a participação da equipe do órgão ambiental no evento foi fundamental para reforçar a iniciativa do Programa Soja Plus, que vai trazer 200 propriedades novas do Estado para essa proposta de melhoria contínua, com adequações ambientais e trabalhistas. O aporte financeiro inicial da IDH será de 600 mil euros, com foco na recuperação de áreas de preservação permanente (APP) que estão degradadas. “Somos muito bons na produtividade, campeões na preservação, e temos que validar tudo isso e mostrar ao mundo, mas tudo isso depende da Sema, que é peça principal no processo”.

O Soja Plus é um programa de melhoria contínua para os produtores rurais, oferecido pela Aprosoja desde 2011, que conta com a participação de 1.100 associados no Estado. Eles representam quase dois milhões de hectares (ha) de soja plantados, num total de 9,4 milhões de ha cultivados. Entretanto, são mais de cinco mil produtores potenciais que podem participar do programa.

Mudança 

O secretário-adjunto de Gestão Ambiental, Alex Sandro Marega, fez um breve resgate histórico sobre o CAR para que participantes do evento entendessem os motivos que levaram o Governo de Mato Grosso a retomar a gestão do sistema. Desde 2014, a ferramenta era gerida pelo Serviço Florestal Brasileiro, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.

Apesar de ter cadastrado 113,5 mil imóveis em três anos, pouco mais de 2,5 mil foram analisados e menos de 100 aprovados. Marega explicou que a simplificação na fase de cadastro do Sicar gerou muitas sobreposições de áreas e informações não confiáveis que inviabilizavam a análise. “Diante desse quadro crítico, a atual gestão resolveu criar um sistema próprio, que tem como meta principal promover a regularização ambiental no Estado”.

Marega pontuou ainda que este novo sistema, o Simcar, tem uma concepção um pouco diferente do sistema nacional, por ser mais complexo e trazer inúmeros filtros e exigências iniciais, alguns deles automáticos. Mas essa foi a forma encontrada pela Sema de garantir mais eficiência no banco de dados, com o intuito de haver mais celeridade na fase de análise e, ainda, garantir um check list de pendências único. “Quando esse CAR chega completo, os processos subsequentes se tornam muito mais simples, transparentes e rápidos”.

A decisão de gerenciar novamente o sistema não trará perdas ao Estado, que continuará integrado à base nacional. A perspectiva é que em pouco tempo Mato Grosso volte a ocupar um lugar de vanguarda nacional, como já foi com o projeto MT Legal, que contava com uma base sólida e segura de cerca de 40 mil propriedades cadastradas e regularizadas.

Simcar

O novo sistema, Simcar, e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) foram instituídos por meio da Lei Complementar n° 592, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), no dia 26 de maio deste ano, e regulamentados pelo Decreto nº 1.031, de 02 de junho. A ferramenta também serve como porta de entrada para os demais serviços da Sema, entre eles, o licenciamento ambiental.

A Secretaria preparou um material explicativo com vídeo-aulas mostrando o passo a passo aos usuários, disponível aqui. Em caso de dúvidas, basta entrar em contato com o Atendimento Cidadão pelo 0800-647-0111, que possui uma equipe especializada para fazer os esclarecimentos referentes ao Simcar. (Com Assessoria)

Fonte: http://www.rdnews.com.br

Ações contra o Código Florestal já estão liberadas para julgamento

Ações contra o Código Florestal já estão liberadas para julgamento

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Após 5 anos da sanção do novo Código Florestal brasileiro, o julgamento de quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade, movidas pelo Ministério Público Federal (MPF), e uma Ação Declaratória de Constitucionalidade, movida pelo Partido Progressista, está próximo de acontecer.

O relator das ações, ministro Luiz Fux,  solicitou ontem (03) a inclusão das ações na pauta do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em conjunto, as quatro ações questionam a constitucionalidade de 58 artigos do chamado novo Código Florestal. Aprovada e sancionada em 2012, a lei tem um total de 84 artigos, dos quais 64% foram questionados no Supremo Tribunal Federal.

O julgamento pode mudar por completo a Lei nº 12.651/2012 (Código Florestal), que regulamenta a conservação e recuperação de cobertura florestal nas propriedades rurais do país. Em 2012, um dos pontos mais polêmicos do novo Código foi a anistia a produtores rurais que desmataram antes de julho de 2008, benefício que poderá ser anulado pela corte.

“[A lei] está valendo e tem sido aplicada, mas também tem havido muito descumprimento sob a invocação de sua inconstitucionalidade, ainda em grau inferior. Então, é chegado o momento de o Supremo pronunciar a última palavra sobre se esse Código é constitucional ou inconstitucional para transmitir segurança jurídica para sociedade”, afirmou Fux em abril de 2016, quando o STF realizou uma audiência pública sobre o assunto.

O STF está  em recesso e só volta em agosto. A partir daí, caberá à ministra Cármen Lúcia a inclusão do julgamento na pauta do STF.

Fonte: http://www.oeco.org.br/blogs/salada-verde/acoes-contra-o-codigo-florestal-ja-estao-liberadas-para-julgamento/

Governo de São Paulo passará a analisar cadastros inscritos no SiCAR

Governo de São Paulo passará a analisar cadastros inscritos no SiCAR

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A Sociedade Rural Brasileira (SRB) chama a atenção de proprietários rurais do Estado de São Paulo para uma recente alteração no Sistema de Cadastro Ambiental Rural do Estado de São Paulo (SiCAR/SP), promovida por resolução do dia 8 de junho de 2017.

De acordo com as alterações, ao realizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, os proprietários ou possuidores de imóveis rurais poderão manifestar expressamente seu interesse em aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) para a regularização de eventuais passivos ambientais em Áreas de Preservação Permanente (APPs), de Reserva Legal (RL) e de Uso Restrito (UR) mediante recuperação, recomposição, regeneração ou compensação.

A partir dessa resolução o órgão ambiental passará a analisar os cadastros dos proprietários que manifestaram desinteresse na opção de aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), ou para cumprir ordens judiciais, dando início à efetivação da CAR no Estado, sem prejudicar os proprietários que ainda aguardam a regulamentação em implantação do PRA no Estado para fazer a sua regularização ambiental.

Em São Paulo, divergências jurídicas vêm impedindo a implementação do PRA. O programa está suspenso no estado desde maio de 2016 por força de decisão judicial, uma vez que o Ministério Público Estadual a legalidade da Lei Estadual nº 15.684, aprovada em 14 de janeiro de 2015, mediante ação direta de inconstitucionalidade, em trâmite perante o órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (ADI 2100850-72.2016.8.26.0000). Segundo o advogado Francisco de Godoy Bueno, vice-presidente da SRB, a suspensão da Lei Estadual pelo Tribunal tem impedido os órgãos públicos estaduais de implementar o Código Florestal aprovado em 2012. “Todos saem prejudicados, especialmente os proprietários, que não possuem uma definição clara das obrigações a serem cumpridas, e o meio ambiente, que deixa de ser restaurado nos prazo previstos pela legislação federal”, afirma.

Bueno elogia a nova resolução, que permitirá o início da análise do cadastros ambientais das propriedades rurais, mas alerta que os produtores e proprietários rurais que já inscreveram os seus imóveis no SICAR-SP devem ficar atentos à necessidade de retificação, com declaração expressa do interesse de aderir ou não ao PRA. Segundo o especialista, “a declaração expressa do proprietário declarando interesse em aderir ao PRA servirá para evitar que os proprietários de boa-fé, que possuem passivos ambientais e aguardam o programa para se regularizar, sejam prejudicados pela confusão jurídica criada pelos questionamentos judiciais da legislação federal e estadual”.

No cadastramento das propriedades rurais no CAR deverão ser declarados todos os termos de compromisso, administrativos ou judiciais, firmados em relação a passivos ambientais no imóvel objeto do cadastro. Outro ponto em que é preciso redobrar a atenção refere-se à necessidade de solicitação de revisão dos termos de compromisso, especialmente nos casos de pedido de alteração da localização da reserva legal ou substituição dos compromissos assumidos com os órgãos ambientais. “Essas informações serão fundamentais para a regularização da situação ambiental dos imóveis rurais e deverão estar técnica e juridicamente fundamentadas”, acrescenta Bueno.

Sobre o PRA

O Programa de Regularização Ambiental foi criado pelos Artigos 59 e seguintes do Código Florestal (Lei no 12.651/2012), como importante instrumento para a regularização ambiental dos imóveis rurais. Por meio da adesão ao PRA, é possível tanto a quantificação do passivo ambiental existentes em posses e propriedades quanto a sua adequação, especialmente no tocante à recomposição, regeneração ou compensação de áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como a sua dispensa, em virtude do reconhecimento de áreas de uso consolidado.

O PRA é específico para cada estado da federação, que implantará seu próprio programa com regras e procedimentos próprios. Os proprietários ou possuidores de imóveis rurais deverão realizar o PRA após o preenchimento do CAR. A inscrição é feita pelo SiCAR, sistema eletrônico, disponível pela Internet, acessível pelo computador de qualquer produtor rural.

No Estado de São Paulo, porém, o PRA foi instituído pela Lei Estadual nº 15.684, aprovada em 14 de janeiro de 2015. A sua implantação, no entanto foi suspensa em 08 de maio de 2016, em virtude de decisão liminar concedida nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 2100850-72.2016.8.26.0000, promovida pelo Ministério Público Estadual contra a Lei Estadual. O programa não poderá ser implantado no Estado até o julgamento final da ação.

Os produtores rurais questionam as reclamações feitas pelo Ministério Público Estadual, de que a Lei foi aprovada sem participação popular, com retrocesso para a proteção do meio ambiente. Segundo a Sociedade Rural Brasileira, a aprovação da Lei foi legítima e decorrente da compreensão dos deputados estaduais, após diversas audiências públicas realizadas, de que era fundamental a implantação do PRA em São Paulo com preservação das regras da Lei Federal, especialmente no que se refere às áreas consolidadas.

A principal divergência na aplicação da Lei está exatamente no conceito de áreas consolidadas, que dispensa pequenos produtores de fazer a recuperação de parte das áreas de preservação permanente e a continuação do uso agrícola e pecuário de áreas desmatadas no passado, quando a legislação era menos restritiva do que a atual. Segundo a Sociedade Rural Brasileira, essas regras, estabelecidas na lei federal, são fundamentais para a conciliação do passado, de desbravamento do Estado, com o presente, de agropecuária sustentável. O futuro, segundo a entidade é preservado com regras que limitam a utilização das regras de transição para a conversão de novas áreas, limitando o desmatamento e garantindo sempre a proteção dos recursos hídricos e naturais.

Fonte: http://www.srb.org.br/governo-de-sao-paulo-passara-a-analisar-cadastros-inscritos-no-sicar/

Programa de Regularização Ambiental é apresentado no Conama

Programa de Regularização Ambiental é apresentado no Conama

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Integrantes do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) conheceram o funcionamento do módulo do SiCAR que possibilita a regularização ambiental de imóveis rurais.

Na reunião do Conama, realizada ontem (21/06), a equipe do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) apresentou as últimas novidades do Programa de Regularização Ambiental (PRA). O novo módulo do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) já está disponível para que estados e municípios possam fazer a regularização das Áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal (RL) e de Uso Restrito (UR) dos imóveis rurais, conforme o Código Florestal, Lei N° 12.651/2012.

A proposta simplificada de adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), apresentada aos integrantes do Conama, permite aos produtores de imóveis rurais identificar as áreas a serem regularizadas e a necessidade de recomposição ou compensação de vegetação nativa, bem como solicitar a suspensão de sanções administrativas e embargos referentes a desmatamentos realizados antes de 22 de julho de 2008 em áreas de APP e reserva legal, caso haja. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), o Programa de Regularização Ambiental (PRA) oferece opções para proprietários e posseiros resolverem os passivos ambientais de seus imóveis rurais.

Capacitação

Na reunião, também foi anunciado o início das aulas do CAP-CAR Análise, um curso semi-presencial para capacitação dos técnicos que irão analisar os dados inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR). A primeira turma terá início na próxima segunda-feira (26/6) com técnicos dos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A expectativa é que até o final do ano, 300 técnicos de órgãos ambientais serão capacitados em todo o país.

“A implantação do SICAR não visa apenas o desenvolvimento e entrega dos módulos, mas fazer uma implantação assistida, que é quando a gente chega junto aos órgãos ambientais dos estados para ajudar desde a instalação e implantação do módulo em ambiente de teste até a capacitação e apoio de suporte técnico da ferramenta para uso dos módulos” esclarece o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Raimundo Deusdará.

Análise de dados

“A análise dos dados é fundamental para identificar sobreposições de informações ou restrições nos cadastros dos imóveis rurais  melhorando a base de dados do CAR que é um poderoso instrumento de planejamento para uso do imóvel rural”, afirma Deusdará. Dessa forma, ao fazer a adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), o produtor rural, por meio da Central do Proprietário, poderá corrigir informações em seu cadastro utilizando as bases de referência de outros órgãos, como Incra, Ibama e Funai, disponíveis no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural. Os proprietários com imóveis que se sobrepõem a terras indígenas e Unidades de Conservação, por exemplo, receberão mensagens de alerta para fazer a justificativa ou retificação de seus cadastros.